terça-feira, 25 de outubro de 2011

"Intimidade é quando a vida da gente relaxa diante de outra vida e respira macio.
Não há porque se defender de coisa alguma nem porque se esforçar para o que quer que seja.
O coração pode espalhar os seus brinquedos. Cantar a música que cada instante compõe. Bordar cada encontro com as linhas do seu próprio novelo.
Contar as paisagens que vê enquanto cria o caminho.
Andar descalço, sem medo de ferir os pés."

Ana Jácomo

segunda-feira, 24 de outubro de 2011

Costumamos julgar roupas, comportamento, caráter - juízes indefectíveis que somos da vida alheia, mas é um atrevimento nos outorgarmos o direito de reconhecer, apenas pelas aparências, quem sofre e quem está em paz. A sua felicidade não é a minha, e a minha não é a de ninguém. Não se sabe nunca o que emociona intimamente uma pessoa, a que ela recorre para conquistar serenidade, em quais pensamentos se ampara quando quer descansar do mundo, o quanto de energia coloca no que faz, e no que ela é capaz de desfazer para manter-se sã. Toda felicidade é construída por emoções secretas. Podem até comentar sobre nós, mas nos capturar, só se permitirmos.


Martha Medeiros

domingo, 23 de outubro de 2011

Música é algo realmente mágico, que tem o poder de nos elevar a alma, de nos fazer viajar a lugares nunca antes visitados, nos trazer lembranças boas e não tão boas...
Para mim música é quase tudo desde sempre.
Essa música não sai da minha cabeça desde ontem, fazia muito tempo que não a ouvia.



domingo, 9 de outubro de 2011

O AMOR É ALQUIMIA




O Amor é Alquimia
É o fogo que queima,
Transforma e labora
No cadinho do coração,
Transmutando-o num coração
Sensível, terno; como uma
Doce poesia ou uma flor
Delicada em seu lindo jardim...
Este é o verdadeiro elixir
Da longa Vida e o Ouro que
Brilha nos corações
De quem ama...
Contudo, há de ser laborado
Todos os dias, caso contrário,
Perder-se-á a nobreza
E o encanto desta
Alquímica magia.”

Elias Akhenaton

sábado, 1 de outubro de 2011

Lindo esse vídeo da ZZ!
Uma raridade do CD "Mais Simples"
Obrigada Robert Querido!!!


A DOR QUE DÓI MAIS

Tenho lido muitos textos da Martha Medeiros e adorado todos.
Esse é um deles...



Trancar o dedo numa porta dói. Bater com o queixo no chão dói. Torcer o tornozelo dói. Um tapa, um soco, um pontapé, dóem. Dói bater a cabeça na quina da mesa, dói morder a língua, dói cólica, cárie e pedra no rim. Mas o que mais dói é saudade.
Saudade de um irmão que mora longe. Saudade de uma cachoeira da infância. Saudade do gosto de uma fruta que não se encontra mais. Saudade do pai que já morreu. Saudade de um amigo imaginário que nunca existiu. Saudade de uma cidade. Saudade da gente mesmo, quando se tinha mais audácia e menos cabelos brancos. Dóem essas saudades todas.
Mas a saudade mais dolorida é a saudade de quem se ama. Saudade da pele, do cheiro, dos beijos. Saudade da presença, e até da ausência consentida. Você podia ficar na sala e ele no quarto, sem se verem, mas sabiam-se lá. Você podia ir para o aeroporto e ele para o dentista, mas sabiam-se onde. Você podia ficar o dia sem vê-lo, ele o dia sem vê-la, mas sabiam-se amanhã. Mas quando o amor de um acaba, ao outro sobra uma saudade que ninguém sabe como deter.

Saudade é não saber. Não saber mais se ele continua se gripando no inverno. Não saber mais se ela continua clareando o cabelo. Não saber se ele ainda usa a camisa que você deu. Não saber se ela foi na consulta com o dermatologista como prometeu. Não saber se ele tem comido frango de padaria, se ela tem assistido as aulas de inglês, se ele aprendeu a entrar na Internet, se ela aprendeu a estacionar entre dois carros, se ele continua fumando Carlton, se ela continua preferindo Pepsi, se ele continua sorrindo, se ela continua dançando, se ele continua pescando, se ela continua lhe amando.

Saudade é não saber. Não saber o que fazer com os dias que ficaram mais compridos, não saber como encontrar tarefas que lhe cessem o pensamento, não saber como frear as lágrimas diante de uma música, não saber como vencer a dor de um silêncio que nada preenche.

Saudade é não querer saber. Não querer saber se ele está com outra, se ela está feliz, se ele está mais magro, se ela está mais bela. Saudade é nunca mais querer saber de quem se ama, e ainda assim, doer.


Martha Medeiros